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3 plantas comestíveis de inverno, abundantes e fáceis de identificar em segurança.

De inverno é sempre mais complicado encontrar comestíveis selvagens, no entanto algumas espécies encontram-se no seu melhor precisamente nesta altura. Vejamos alguns exemplos.

Rosas
Todas as rosas são comestíveis, principalmente os botões, que são mais saborosos,  mas também as folhas. São ricas em vitaminas A, B, C, E e K, cálcio, silica, ferro e fósforo, carotenos e bioflavenoides antioxidantes.
Apesar das variedades domésticas terem várias pétalas – e estas são de evitar porque não só são menos saborosas como normalmente são tratadas com adubos e pesticidas – as selvagens têm apenas 5 pétalas. Mas são os botões de rosa a comida de inverno de excelência.
Têm um sabor semelhante a maçã cruzada com ameixa.
O único cuidado a ter é em retirar as sementes, que podem irritar os intestinos, e que devem ser enterradas para garantir a continuidade da planta.
De resto é fácil de identificar pelos seus espinhos e botão carnudo, de um vermelho ou laranja vivos.

rosa rubiginosa

fonte: flora-on.pt

Tabúa (Typha latifolia)
Se já viste desenhos animados conheces esta planta. É uma invasora que cresce um pouco por todos os cursos de água, facilmente reconhecível pelo seu escape floral que faz lembrar uma salsicha no espeto, e que é uma característica inconfundível.
Tanto o seu talo pode ser comido como alho-francês como a sua raiz, que se retira relativamente bem de dentro de água à mão, pode ser cozinhada para ser consumida de imediato ou transformada em farinha.
Sendo uma planta filtradora, é preciso alguma cautela com o local de onde se recolhe, porque se a água estiver contaminada, a planta também estará.
De resto é uma excelente fonte de alimento, além de proporcionar acendalhas, corda das folhas, isolamento térmico das sementes e até varas de flecha improvisadas a partir dos seus escapes.

Dente-de-Leão (Taraxacum officinale)
Encontrado frequentemente em todos os relvados, prados e zonas abertas, é uma planta muito comum. Todas as crianças adoram soprar as suas sementes ao vento. É consumida desde a pré-história e todas as suas partes são comestíveis, das folhas cruas em saladas às flores que fazem uns magníficos hamburgers vegetarianos e às raízes que produzem um substituto do café.
Pode confundir-se à primeira vista com outras plantas semelhantes, mas o dente de leão cresce a partir de um ponto central em roseta, e tanto a flor como a semente crescem num pé único e sem pelos.

Taraxacum officinale

fonte: dreamstime.com

O mundo das plantas comestíveis é apaixonante, e o seu conhecimento um contributo valioso para aligeirar o peso da mochila e para uma maior comunhão com a natureza, assim como uma vida mais saudável.
No entanto as plantas não vêm com códigos de barras, pelo que antes de te aventurares na sua apanha deves aprender a faze-lo com quem saiba.
Se quiseres uma introdução ao tema, porque não inscreveres-te no próximo passeio da Escola do Mato?

Já encontraste estas plantas antes? Sabes onde elas crescem nas tuas redondezas? Partilha connosco e com o resto dos leitores na caixa de comentários.

Até para a semana, vemo-nos no mato,

Pedro Alves

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Com bom tempo, qualquer palerma acende uma fogueira, já diz o ditado.
É nas piores alturas que se vê quem sabe realmente acender um fogo.
Felizmente o nosso quadradinho está bem provido de uma das árvores mais práticas para acender um foguinho quando está tudo encharcado: o pinheiro.

A primeira coisa a fazer é preparar o local onde vamos fazer o fogo. Como a primeira chama é algo frágil, convém que o local seja abrigado pelo menos durante a primeira fase, usando um poncho ou uma lona mesmo por cima do local do fogo. É importante que não nos caia chuva nas primeiras chamas.

Depois é preciso ir à lenha. Os ramos mortos dos pinheiros são excelente combustível. O primeiro indício de que o ramo está morto é a ausência de matéria verde nas pontas. O segundo e claro indício da sua morte é o característico “tak!” quando se parte. Os ramos vivos vão dobrar, ainda que ligeiramente, rejeitem esses.

Madeira morta em pé não significa necessariamente ainda agarrada ao tronco: desde que não estejam em contacto com o chão, servem perfeitamente.

Depois de recolhidos uns ramos valentes, e nesta coisa da chuva mais vale pecar por excesso, quando acharem que têm madeira suficiente, tripliquem a dose, só por segurança. É uma chatice quando está a chover a potes a primeira tentativa falhar por falta de alimento e termos que apanhar a segunda molha a ir recolher madeira de novo.

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Portanto temos os nossos ramos debaixo do abrigo. Uma sacudidela valente é mais do que suficiente para lhes retirar o excesso de água que os cubra. Como não estão em contacto com o chão, irão estar relativamente secos por dentro.

O processo de preparação é semelhante ao fogo de gravetos que pode ser encontrado aqui.
Uma base, para permitir uma boa entrada de ar e manter o fogo longe do chão molhado, a lenha separada por tamanhos de mina de lápis, lápis e polegares, em molhos que precisem das duas mãos para os agarrar. Se conseguirem, por uma questão prática, amarrem os freixes mais pequenos.

Uma ressalva aqui para o facto das raízes dos pinheiros crescerem perto da superfície e arderem tipo rastilho, reacendendo por vezes meses depois de termos feito o fogo. Havendo tempo, escavem um pouco para retirar alguma raiz que esteja por debaixo da zona de fogo e permitam que a chuva encharque bem o buraco antes de o tapar de novo.

Depois é a vez da acendalha, que deixamos para o fim para que apanhe o mínimo de humidade possível. Aqui é importante ter um bom molhe de feathersticks, com aparas bem finas e longas. Com alguma prática é possível fazer feathersticks que acendam com uma faísca, mas para já contentemo-nos com uma quantidade do tamanho de uma meloa. Depois de preparada a acendalha é altura de raspar um pouco de pinho resinoso, o mais vermelhinho que encontrarem e que cheire o pior a terbentina que conseguirem. Raspem-no até conseguirem um pó fino na quantidade de uma uva gorda, que mais uma vez é preferível pecar por excesso. Se conseguirem encontrar resina, ainda melhor, que o efeito é o mesmo e dura mais tempo. Tem é que ser bem pulverizado para pegar.

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Este pó irá acender com facilidade com algumas faíscas de um firesteel, e esta será a nossa primeira chama. Sobre esta chama vamos colocando muito gentilmente os feathersticks, deixando que a chama lamba a ponta das penas sem as depositar à bruta em cima da chama, abafando-a. Esta é a parte mais crítica do fogo. Assim que as penas ganham chama, é altura de passar aos gravetos.

Por esta altura, o calor da chama dos feathersticks será suficiente para secar o resto de humidade que ainda esteja agarrado ao vosso primeiro molhe tamanho mina de lápis. De novo, pega-se o molhe por cima da chama, apenas de modo a que esta venha lamber os primeiros gravetos, e assim se mantém até que a chama surja por cima do molhe. Podemos então poisar este molhe gentilmente em cima do fogo e repetir o processo com o segundo molhe. Nesta fase a fogueira já deve produzir um calor considerável.
Se por acaso virem a chama esmorecer, sinal claro de pouca oxigenação, pequem na base do primeiro freixe, que ainda deve estar amarrada, e levantem toda a lenha um pouco, permitindo uma entrada de ar por baixo mais eficiente, o que irá fazer disparar as labaredas.

Assim que se poisa o segundo molhe, é altura de começar a alimentar, do lado contrário ao do vento, a fogueira com os gravetos tamanho lápis, mais uma vez pousando gentilmente os ramos. Qualquer atirar de madeira para o fogo até este estar sustentável pode mandar abaixo o trabalho todo.

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Uma vez empilhados os gravetos médios, podemos passar então a madeira do tamanho polegar.
Assim que estes estiverem a arder, temos então um fogo sustentável, cujo calor que emite, tanto da chama como da cama de brasas que entretanto se foi formando, é suficiente para fazer evaporar a água da chuva antes que ela lhe caia em cima. A quantidade de madeira necessária para isto é directamente dependente da enxurrada, mas o processo é sempre o mesmo.

Depois disto, quaisquer troncos grossos, mesmo encharcados, podem ser encostados à fogueira para irem secando, e vão naturalmente entrar em combustão quando estiverem secos.

Assim que o fogo está sustentável, aconselha-se que movam a protecção para o lado da fogueira, para que o calor das chamas não a derreta. Um abrigo inclinado irá proteger do vento e reflectir algum calor para as costas, tornando uma estada à chuva bastante aceitável.

A grande vantagem de acampar à chuva é mesmo o facto de não ser preciso ir muito longe para buscar água boa para beber, e de raramente alguém nos vir chatear .
É então hora de juntar umas agulhas de pinheiro e fazer um cházinho carregado de vitamina C, para prevenir alguma constipação enquanto a roupa molhada seca em frente ao fogo.

Boa caça, e vêmo-nos no mato.

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