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Escolher as calças mais adequadas para o mato sem ficar falido.

 É normal discutirmos equipamento com os nossos alunos quando estamos no mato. Se já vieste a um dos nossos cursos sabes que aconselhamos calças militares, porque secam rápido e são robustas, e de longe melhores que as calças de ganga. Mas para mim as calçar militares têm o defeito de serem na sua maioria camufladas, e pessoalmente não aprecio o padrão. Gosto de tons oliva e terra, que me permitam minimizar o impacto visual da minha presença, mas o camuflado remete para uma actividade que tem muito pouco a ver com o que estou a fazer no mato.
Há que reconhecer que o material militar é feito para durar e ser eficiente, resistindo a quase tudo o que o mato lhe atire, o ripstop é fácil de remendar, é pouco propenso a abrir buracos com as fagulhas da fogueira, aguenta bem o tempo que passo de joelhos ou sentado em cima de um tronco e muitas vezes são reforçados nas zonas de maior abrasão.
São calças práticas que têm a vantagem acrescida de ter bolsos de carga para podermos transportar connosco equipamento essencial.
Mas com o tempo que passo no mato, sinto que tenho necessidades específicas que o material militar – mesmo quando consigo encontrar versões não-camufladas que goste – não cumpre completamente. Ou são demasiado frescas e frágeis ou demasiado robustas e pesadas, ou ainda parece que cabem dois de mim em cada perna.
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© Escola do Mato 2013

Existem várias opções ainda assim que me parecem bastante adequadas.
Tive oportunidade de experimentar o G-1000 da Fjallraven, que é soberbo, a Craghoppers fabrica material de grande qualidade, para citar alguns exemplos de valores distintos, e como estas existem muitas outras marcas conceituadas de equipamento de outdoor. Só que no equipamento de outdoor não-militar, ou ele é bestialmente caro ou é feito em série do modo mais barato possível, ou é completamente sintético, deixando um leque de opções eficazes muito reduzidas, se não queremos ir para o mato com medo de rasgar umas calças que nos custaram uma pequena fortuna.

Quero umas calças quentes no inverno e frescas no verão, robustas e leves, e ainda por cima baratas!

Se não se vende o mais adequado para mim, então resta-me fabricar eu o mais adequado.
Neste momento estou a usar umas calças com um corte que me agrada, que me dão liberdade de movimentos sem serem um saco de batatas, 65% algodão e 35% poliéster, que é uma boa combinação para robustez e secagem rápida. Possuem cordões ao fundo das pernas, o que me permite controlar o fluxo de ar e regular a temperatura. Como foram relativamente baratas (cerca de 12 euros), compensa-me aplicar eu os reforços na traseira e nos joelhos (pode até incluir um bolso para uma almofada), mesmo que seja adquirindo um segundo par para recortar e usar as sobras para sacos de equipamento. Em tempo húmido aplico uma receita pessoal de impermeabilizante à base de cera de abelha que protege o tecido e o torna bastante hidrofóbico em maior ou menor grau conforme a aplicação, com a opção de reforçar apenas nas zonas que fiquem mais expostas à chuva ou erva molhada e mantendo o tecido respirável nas outras, mas que sendo lavado a quente na máquina torna as calças de novo respiráveis, prontas para o tempo mais quente.
Como complemento final costumo cozer uns zippers de lado na costura, entre o fundo dos bolsos e o topo do bolso de carga para poder abrir enquanto caminho e não deixar que as pernas aqueçam demasiado, libertando calor e humidade.
Fico assim com um equipamento que, até ver, me proporciona a maior versatilidade de acordo com as minhas necessidades específicas.

Fica a minha sugestão de equipamento, e não deixem de partilhar na caixa de comentários as vossas experiências com outras marcas, porque nunca a procura das calças perfeitas para o mato não tem fim!

Até para a semana, vemo-nos no mato,

Pedro Alves

 

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Tratar bem dos pés para que nos levem mais longe!

Uma das primeiras coisas que devemos fazer quando chegamos a campo é tirar as botas e as meias e deixar o pé arejar. Evitamos assim a acumulação de humidade no pé, que na ausência de movimento nos vai fazer arrefecer – isto é ainda mais importante se a noite estiver a cair – e também damos mais tempo para que as botas libertem alguma humidade enquanto ainda estão quentes da caminhada.

Sempre que possível, levamos um calçado de noite, algo leve mas que nos mantenha o pé livre de nos aleijarmos ao pisar algum pau ou pedra enquanto tratamos da nossa rotina de campo.

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foto: http://www.sxc.hu

Devemos então perder algum tempo a cuidar dos nossos pés. Massajar bem o pé para facilitar a circulação que o aperto da bota tenha condicionado, limpar o melhor possível a humidade, cuidar de alguma mazela como calos e bolhas que se tenham formado durante a caminhada, colocar algum pó de talco, que absorva a humidade residual e nos ajude a manter os pés quentes, confortáveis e limpos.
Os cuidados com os pés não devem ser protelados porque se podem agravar a uma velocidade assustadora, e tal como qualquer outro problema em campo, deve ser abordada a situação o mais rápido possível para podermos continuar com a nossa vida.

Afinal são os nossos pés que nos vão tirar dali no dia seguinte, pelo que é essencial que cuidemos bem deles. 

A grande tendência quando trocamos de calçado é trocar também de meias. No entanto se só tivermos dois pares, é preferível aguardar até à hora de ir deitar para as calçar, para evitar que também as novas meias ganhem humidade. Umas meias secas podem fazer toda a diferença entre uma noite bem dormida e uma terrível. Se for preciso, voltem a calçar as meias de caminhada até chegar a hora de ir deitar, e só então troquem para umas secas. Se estiverem demasiado húmidas é sempre possível secar as meias junto ao fogo o suficiente para poderem ser calçadas de novo, enquanto aquecem também os pés na espera.
No dia seguinte, mesmo que as meias ainda estejam húmidas, é preferível descalçar as meias de noite e voltar a calçar as de dia, que o calor do movimento da caminhada tratará de aquecer, garantindo assim que temos sempre um par de meias seco para a noite.

Se tiveres mais conselhos, truques e dicas, não deixes de os partilhar na nossa caixa de comentários.

Até uma próxima vez, vemo-nos no mato,

Pedro Alves

 

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