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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Três plantas medicinais mais comuns e de grande utilidade no mato.

As mazelas mais comuns em campo são os pequenos cortes e arranhões, os entorses e inflamações  e as constipações. No entanto, o mato dá, e o mato tira, e é comum encontrarmos por perto plantas vulgares que também são muito eficazes a resolver estes problemas.

As Malvas (Malva sylvestris)
Esta planta é composta por mucilagens, que apresentam propriedades emolientes (suavizante da pele e mucosas inflamadas) e laxantes suaves. Também contém taninos, com efeito regenerador dos tecidos, flavonóides e óleo essencial, com acção antibiótica e antioxidante.
É principalmente como anti-inflamatória que é mais usada. Uma infusão das suas folhas aplicada no local de uma inflamação faz reduzir o inchaço, e pode ser usada tanto externamente como internamente, no caso de inflamações bucais, do sistema respiratório e digestivo.

Malva sylvestris

fonte: flora-on.pt

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tanchagem (Plantago major)
A tanchagem é o penso rápido do mato. O seu modo mais frequente de uso é ou mastigando ou aquecendo umas folhas junto das brasas e aplicar em cataplasma sobre uma ferida, arranhão ou picada de insecto. A saliva também tem propriedades antibacterianas e ajuda a evitar infecções, e nem sempre temos uma fogueira disponível.
É facilmente identificavel pelos seus veios paralelos, pronunciados na face inferior da folha, que quando se rasga apresenta uns filamentos no seu interior.
É das plantas mais comuns nos relvados, junto com a relva e o dente-de-leão.

 

Plantago major

fonte: flora-on

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Salgueiro-branco (Salix alba)
Apesar de todos os salgueiros, e mesmo os choupos, possuirem ácido acetil-salicilico, a base da aspirina, é no salgueiro branco que vamos encontrar a maior concentração.
Com uma faca retira-se um quadrado da casca do tamanho da palma da mão, para obter a casca interior de cor avermelhada, entre a casca de fora, mais rija e castanha, e a madeira mais clara, que é onde se concentra o ácido. Colocam-se então esses pedaços em água a ferver uns bons 20 minutos até que esta fique com um tom avermelhado, deixa-se arrefecer e normalmente junta-se um pouco de mel (o sabor, como a aspirina, não é dos mais agradáveis), ficando pronto a beber.
Tal como a aspirina, não se deve abusar dele, mas um copo cheio é suficiente para acalmar a maioria das dores.

Deve sempre tomar-se cuidado para não danificar as árvores de onde extraímos remédios, tirando apenas o essencial e deixando a árvore repousar durante um ano, para que se recomponha.

Além destes, que mais remédios naturais costumas usar? Deixa-nos e aos outros leitores a tua sugestão na caixa de comentários.

Com os votos de um Feliz Natal, vemo-nos no ano que vem!

Pedro Alves

 

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3 plantas comestíveis de inverno, abundantes e fáceis de identificar em segurança.

De inverno é sempre mais complicado encontrar comestíveis selvagens, no entanto algumas espécies encontram-se no seu melhor precisamente nesta altura. Vejamos alguns exemplos.

Rosas
Todas as rosas são comestíveis, principalmente os botões, que são mais saborosos,  mas também as folhas. São ricas em vitaminas A, B, C, E e K, cálcio, silica, ferro e fósforo, carotenos e bioflavenoides antioxidantes.
Apesar das variedades domésticas terem várias pétalas – e estas são de evitar porque não só são menos saborosas como normalmente são tratadas com adubos e pesticidas – as selvagens têm apenas 5 pétalas. Mas são os botões de rosa a comida de inverno de excelência.
Têm um sabor semelhante a maçã cruzada com ameixa.
O único cuidado a ter é em retirar as sementes, que podem irritar os intestinos, e que devem ser enterradas para garantir a continuidade da planta.
De resto é fácil de identificar pelos seus espinhos e botão carnudo, de um vermelho ou laranja vivos.

rosa rubiginosa

fonte: flora-on.pt

Tabúa (Typha latifolia)
Se já viste desenhos animados conheces esta planta. É uma invasora que cresce um pouco por todos os cursos de água, facilmente reconhecível pelo seu escape floral que faz lembrar uma salsicha no espeto, e que é uma característica inconfundível.
Tanto o seu talo pode ser comido como alho-francês como a sua raiz, que se retira relativamente bem de dentro de água à mão, pode ser cozinhada para ser consumida de imediato ou transformada em farinha.
Sendo uma planta filtradora, é preciso alguma cautela com o local de onde se recolhe, porque se a água estiver contaminada, a planta também estará.
De resto é uma excelente fonte de alimento, além de proporcionar acendalhas, corda das folhas, isolamento térmico das sementes e até varas de flecha improvisadas a partir dos seus escapes.

Dente-de-Leão (Taraxacum officinale)
Encontrado frequentemente em todos os relvados, prados e zonas abertas, é uma planta muito comum. Todas as crianças adoram soprar as suas sementes ao vento. É consumida desde a pré-história e todas as suas partes são comestíveis, das folhas cruas em saladas às flores que fazem uns magníficos hamburgers vegetarianos e às raízes que produzem um substituto do café.
Pode confundir-se à primeira vista com outras plantas semelhantes, mas o dente de leão cresce a partir de um ponto central em roseta, e tanto a flor como a semente crescem num pé único e sem pelos.

Taraxacum officinale

fonte: dreamstime.com

O mundo das plantas comestíveis é apaixonante, e o seu conhecimento um contributo valioso para aligeirar o peso da mochila e para uma maior comunhão com a natureza, assim como uma vida mais saudável.
No entanto as plantas não vêm com códigos de barras, pelo que antes de te aventurares na sua apanha deves aprender a faze-lo com quem saiba.
Se quiseres uma introdução ao tema, porque não inscreveres-te no próximo passeio da Escola do Mato?

Já encontraste estas plantas antes? Sabes onde elas crescem nas tuas redondezas? Partilha connosco e com o resto dos leitores na caixa de comentários.

Até para a semana, vemo-nos no mato,

Pedro Alves

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Escolher as calças mais adequadas para o mato sem ficar falido.

 É normal discutirmos equipamento com os nossos alunos quando estamos no mato. Se já vieste a um dos nossos cursos sabes que aconselhamos calças militares, porque secam rápido e são robustas, e de longe melhores que as calças de ganga. Mas para mim as calçar militares têm o defeito de serem na sua maioria camufladas, e pessoalmente não aprecio o padrão. Gosto de tons oliva e terra, que me permitam minimizar o impacto visual da minha presença, mas o camuflado remete para uma actividade que tem muito pouco a ver com o que estou a fazer no mato.
Há que reconhecer que o material militar é feito para durar e ser eficiente, resistindo a quase tudo o que o mato lhe atire, o ripstop é fácil de remendar, é pouco propenso a abrir buracos com as fagulhas da fogueira, aguenta bem o tempo que passo de joelhos ou sentado em cima de um tronco e muitas vezes são reforçados nas zonas de maior abrasão.
São calças práticas que têm a vantagem acrescida de ter bolsos de carga para podermos transportar connosco equipamento essencial.
Mas com o tempo que passo no mato, sinto que tenho necessidades específicas que o material militar – mesmo quando consigo encontrar versões não-camufladas que goste – não cumpre completamente. Ou são demasiado frescas e frágeis ou demasiado robustas e pesadas, ou ainda parece que cabem dois de mim em cada perna.
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© Escola do Mato 2013

Existem várias opções ainda assim que me parecem bastante adequadas.
Tive oportunidade de experimentar o G-1000 da Fjallraven, que é soberbo, a Craghoppers fabrica material de grande qualidade, para citar alguns exemplos de valores distintos, e como estas existem muitas outras marcas conceituadas de equipamento de outdoor. Só que no equipamento de outdoor não-militar, ou ele é bestialmente caro ou é feito em série do modo mais barato possível, ou é completamente sintético, deixando um leque de opções eficazes muito reduzidas, se não queremos ir para o mato com medo de rasgar umas calças que nos custaram uma pequena fortuna.

Quero umas calças quentes no inverno e frescas no verão, robustas e leves, e ainda por cima baratas!

Se não se vende o mais adequado para mim, então resta-me fabricar eu o mais adequado.
Neste momento estou a usar umas calças com um corte que me agrada, que me dão liberdade de movimentos sem serem um saco de batatas, 65% algodão e 35% poliéster, que é uma boa combinação para robustez e secagem rápida. Possuem cordões ao fundo das pernas, o que me permite controlar o fluxo de ar e regular a temperatura. Como foram relativamente baratas (cerca de 12 euros), compensa-me aplicar eu os reforços na traseira e nos joelhos (pode até incluir um bolso para uma almofada), mesmo que seja adquirindo um segundo par para recortar e usar as sobras para sacos de equipamento. Em tempo húmido aplico uma receita pessoal de impermeabilizante à base de cera de abelha que protege o tecido e o torna bastante hidrofóbico em maior ou menor grau conforme a aplicação, com a opção de reforçar apenas nas zonas que fiquem mais expostas à chuva ou erva molhada e mantendo o tecido respirável nas outras, mas que sendo lavado a quente na máquina torna as calças de novo respiráveis, prontas para o tempo mais quente.
Como complemento final costumo cozer uns zippers de lado na costura, entre o fundo dos bolsos e o topo do bolso de carga para poder abrir enquanto caminho e não deixar que as pernas aqueçam demasiado, libertando calor e humidade.
Fico assim com um equipamento que, até ver, me proporciona a maior versatilidade de acordo com as minhas necessidades específicas.

Fica a minha sugestão de equipamento, e não deixem de partilhar na caixa de comentários as vossas experiências com outras marcas, porque nunca a procura das calças perfeitas para o mato não tem fim!

Até para a semana, vemo-nos no mato,

Pedro Alves

 

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Tratar bem dos pés para que nos levem mais longe!

Uma das primeiras coisas que devemos fazer quando chegamos a campo é tirar as botas e as meias e deixar o pé arejar. Evitamos assim a acumulação de humidade no pé, que na ausência de movimento nos vai fazer arrefecer – isto é ainda mais importante se a noite estiver a cair – e também damos mais tempo para que as botas libertem alguma humidade enquanto ainda estão quentes da caminhada.

Sempre que possível, levamos um calçado de noite, algo leve mas que nos mantenha o pé livre de nos aleijarmos ao pisar algum pau ou pedra enquanto tratamos da nossa rotina de campo.

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foto: http://www.sxc.hu

Devemos então perder algum tempo a cuidar dos nossos pés. Massajar bem o pé para facilitar a circulação que o aperto da bota tenha condicionado, limpar o melhor possível a humidade, cuidar de alguma mazela como calos e bolhas que se tenham formado durante a caminhada, colocar algum pó de talco, que absorva a humidade residual e nos ajude a manter os pés quentes, confortáveis e limpos.
Os cuidados com os pés não devem ser protelados porque se podem agravar a uma velocidade assustadora, e tal como qualquer outro problema em campo, deve ser abordada a situação o mais rápido possível para podermos continuar com a nossa vida.

Afinal são os nossos pés que nos vão tirar dali no dia seguinte, pelo que é essencial que cuidemos bem deles. 

A grande tendência quando trocamos de calçado é trocar também de meias. No entanto se só tivermos dois pares, é preferível aguardar até à hora de ir deitar para as calçar, para evitar que também as novas meias ganhem humidade. Umas meias secas podem fazer toda a diferença entre uma noite bem dormida e uma terrível. Se for preciso, voltem a calçar as meias de caminhada até chegar a hora de ir deitar, e só então troquem para umas secas. Se estiverem demasiado húmidas é sempre possível secar as meias junto ao fogo o suficiente para poderem ser calçadas de novo, enquanto aquecem também os pés na espera.
No dia seguinte, mesmo que as meias ainda estejam húmidas, é preferível descalçar as meias de noite e voltar a calçar as de dia, que o calor do movimento da caminhada tratará de aquecer, garantindo assim que temos sempre um par de meias seco para a noite.

Se tiveres mais conselhos, truques e dicas, não deixes de os partilhar na nossa caixa de comentários.

Até uma próxima vez, vemo-nos no mato,

Pedro Alves

 

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Assim que começam a dar os primeiros passos, o mato deixa de ser apenas um ambiente saudável para ser todo um mundo a descobrir.
A criança tem um lauto repasto sensorial à sua disposição, de formas e texturas, cores, sons e sensações. É também a altura de maior esforço, quer ao nível da quantidade de equipamento que temos que carregar para este novo companheiro de aventuras como na necessidade de um bom planeamento para suprir as suas necessidades.

Os primeiros passos

A  mais óbvia vantagem de acampar com filhos nesta idade é que já estabeleceram as suas rotinas de sono, o que nos permite também a nós descansar, e já comem melhor, muitas vezes sozinhos, sendo que acabar sopa espalhada por todo o lado não é tão grave no meio de um pinhal quanto no meio da cozinha que acabou de se limpar.
Por outro lado o serem capazes de levar coisas à boca sozinhos – e o meter coisas na boca faz parte do processo de exploração- num ambiente com tanta coisa que pode ser engolida, requer uma atenção constante ao pequeno. Existem coisas que não faz mal nenhum que ponham na boca, mas é sempre melhor se formos nós a  decidir o que é que está ao alcance das mãos e bocas dos pequenos exploradores.

Naquela fase em que ainda gatinha e começa a dar os primeiros passos é importante que haja uma zona de conforto segura e limpa, e a maneira mais fácil de proporcionar este ambiente é usar a tenda. As colchonetes e os sacos-cama dispostos no chão, com a manta por cima para evitar que estes fiquem encharcados em baba, fazem uma área abrigada, fresca e arejada, onde o bebé se pode sentir seguro e pode brincar com os seus objectos preferidos, dando-lhe uma sensação de familiaridade e conforto, que pode até levar naturalmente à sesta. A abertura ampla da tenda permite um bom contacto visual com os pais, e permite também que estes consigam manter algum controlo sobre o que acontece lá dentro, deixando margem para algum relaxamento.
Não obstante, a ideia é que o levem a explorar, e não que apenas o mudem para uma versão mais pequena do seu quarto.

Em campo surge pela primeira vez uma mudança de rotinas que o bebé pode estranhar. No entanto não se trata de falta de rotinas, pois qualquer pessoa que acampe sabe que as rotinas de campo são essenciais para o seu conforto, para que possa despachar rapidamente as tarefas necessárias e tenha mais tempo para descansar.
Enquanto que a comida, desde que se mantenham os horários, não provoca uma alteração radical na rotina, o banho e o dormir são outro assunto mais complexo.
É possível dar banho em campo. O bebé cabe bem num alguidar colapsável e é simples aquecer uma água para a temperatura de conforto. O maior problema é mesmo conseguir fazer isto num ambiente de temperatura adequada, o que nem sempre é possível dada a altura do ano e condições atmosféricas. O avançado da tenda, se for fechado, cria um microclima suficiente para que se dispa o bebé na tenda, se passe para o banho no avançado e se volte a meter na tenda onde o aguarda a toalha e a roupinha da noite, mas é uma tarefa que normalmente requer uma boa divisão de tarefas pelos dois progenitores para minimizar o tempo de exposição.
É preciso ter também algum cuidado com a água, que a entornar-se para dentro da tenda pode transformar uma noite de descanso numa experiência pouco agradável.
Mas se tudo for bem coordenado, o bebé sai da tenda para o banho quentinho – o que lhe vai saber bem e ajudar a relaxar depois de um dia intenso de descoberta – e do banho para a tenda e as suas roupinhas, a sua fralda e boneco favoritos e por fim o leite quente antes de dormir.
Não esquecer da importância que há nesta hora crucial do objecto que remeta para o conforto do lar e da sua cama, pois vai fazer toda a diferença.

Por fim, e porque nesta idade o bebé já passa algum tempo “sozinho”, sem estar em contacto físico com um dos pais, temos que ter mais atenção com a protecção contra os bichos. Enquanto que uma melga à nossa volta nos alerta para a chegada da hora de por repelente, o bebé por ele não se sabe queixar, nem se apercebe muitas vezes da presença do insecto. Portanto é de também aqui criar uma rotina: assim que começa a anoitecer e depois do banho, aplicação do repelente. Este pode ser reforçado nas paredes da tenda e na própria roupa do bebé, para evitar um excesso sobre a pele.

Bons passeios e vêmo-nos no mato,

Pedro Alves
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Levar crianças pequenas em actividades de outdoor tem inúmeras vantagens para o seu desenvolvimento e para o fortalecer das relações afectivas, mas tem dificuldades inerentes que podem fazer um pai renitente em embarcar nestas aventuras enquanto os miúdos são ainda “muito pequenos”.

Bebés no mato

Vamos começar por nos lembrar de que vamos sair porque gostamos de sair, e queremos que o nosso filho partilhe dessa alegria que só encontramos perante os grandes espaços abertos. Os bebés são uns bons detectores de estados de espírito, e vão perceber rapidamente se a nossa viagem é carregada de ansiedade por levarmos connosco essa acrescida responsabilidade, e rápida e ruidosamente partilhar dessa emoção. Se formos felizes, eles irão felizes.

Depois existem algumas limitações quanto ao que podemos fazer com um bebé ao colo. Vamos carregar peso extra, precisar de paragens frequentes para comida, higiene e exercício do pequeno, e estes factores são de ter em conta ao escolhermos a dificuldade, duração e destino das nossas saídas, assim como as necessidades dos que nos acompanham. É preferível optarmos por percursos e actividades com os quais nos sintamos confortáveis, porque se vão tornar mais duras.

Acampar com um bebé não é complicado fisicamente, mas pode ser um desafio mental, se não estivermos com a adequada disposição de espírito. Não nos podemos esquecer de que muitas vezes acalmamos o bebé com uma volta pelo quarteirão ou uma viagem de carro, e estaremos apenas a multiplicar este efeito. Apesar da quantidade extra de roupa e equipamento, o facto é que já naturalmente carregamos mais do que a criança necessita no dia-a-dia (sim, bem mais do que realmente é preciso “só para o caso de ser preciso”), e tudo isto são coisas pequenas que ocupam pouco espaço na mochila. Uma ponderação realista sobre as necessidades do bebé vão permitir-nos carregar apenas o essencial e resolver algum “acidente” improvisando com o nosso próprio equipamento. A nossa camisola polar é tão eficiente quanto a mantinha que foi bolsada e seca nas costas da mochila.
Além disso um bebé é portátil e fácil de entreter.

Mas existem problemas reais com os quais lidar, sendo que o primeiro deles é o sono. Se tiveram filhos como os meus, que não dormiram os primeiros dois anos de vida, não vai miraculosamente ficar melhor em campo. Mas é algo com que temos que lidar, e compensar com o ar puro e a paisagem magnífica, que sempre é melhor que o canal de compras às 5 da manhã no sofá da sala.
Tenham em conta mais uma vez os companheiros de percurso, que podem não ter a natural tolerância paternal para a privação do sono.
Depois existe o problema da regulação térmica. Um bebé ainda não regula bem a sua temperatura corporal e vai sempre precisar de mais uma peça de roupa que nós em tempo frio, ou de ser resguardado do calor.

Tudo o resto será tal-e-qual como em casa: um pequeno kim-jong-il que precisa de atenção (leia-se paragens no caminho) pelo menos a cada uma ou duas horas, comida, higiene, fraldas, ginástica.

Uma grande vantagem aqui para as mães que amamentam: o alimento do pequeno não carece de preparação e está sempre quente e a horas.

Há um ditado que diz que quando o primeiro filho engole uma moeda corremos para o hospital, com o segundo damos um laxante e controlamos a saída e que ao terceiro descontamos na mesada. Enquanto que é normal num primeiro filho um excesso de higiene, não nos podemos esquecer que em campo não temos a poluição nefasta das cidades, e que uma mão suja de terra que vai à boca pode não só não ser mau como ainda ser benéfico para o desenvolvimento do sistema imunitário da criança.

Agora peguem na criança, vão lá para fora e divirtam-se juntos!

A seguir falaremos de acampar na idade seguinte, a dos primeiros passos.
Até lá, vêmo-nos no mato.

Pedro Alves
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Foto ©Ricardo Perna

Diz-se nas artes marciais que a melhor maneira de evitar um golpe é não estar lá.

O mesmo principio se aplica quando vamos fazer qualquer actividade de outdoor e queremos evitar uma situação desagradável, o ideal é não nos pormos a jeito para que a lei de murphy entre em acção cumprindo umas básicas regras de segurança.

1.Planear a viagem

Parece óbvio, mas o facto é que frequentemente descuramos este aspecto, que é dos mais importantes. É tão simples como olhar para um mapa e fazer uma estimativa do percurso, antecipar os locais onde potenciais problemas podem acontecer e prepararmo-nos para eles, seja procurando rotas alternativas seja adestrando o equipamento para sermos capazes de os superar.
O plano de viagem, além dos obstáculos pelo caminho contempla ainda os próximos pontos do código de segurança de outdoor:

2.Avisar alguém

Por onde vamos, quanto tempo presumimos demorar e quando estaremos de volta. Idealmente deixamos o nosso plano de viagem com duas pessoas, para que em caso de algo de inesperado acontecer haja quem possa alertar as equipas de socorro no pior dos casos, ou de nos ir buscar caso seja preciso. O facto de se deixar o plano com duas pessoas permite uma redundância que garante que haverá mesmo alguém a contar com o nosso regresso. Só não se esqueçam de avisar quando voltarem.

3.Ter consciência do tempo

Não apenas do clima, obviamente que é importante saber de antemão com o que vamos contar a nível climatérico para que nos possamos equipar adequadamente, mas com o tempo que vamos demorar. Por hábito estimamos por baixo o tempo que demoramos a fazer percursos na natureza porque não contamos com o cansaço acumulado, a dificuldade de progressão pela irregularidade do terreno, ou apenas com o que perdemos maravilhados com aquela paisagem única.
É assim importante que estejamos conscientes do nosso ritmo de progressão no tipo de ambientes em que nos deslocamos, e dar tempo para apreciar a viagem, e se não temos essa experiência, mais vale estimar por cima, dando uma boa folga, para não sermos surpreendidos pelo cair da noite antes do final do nosso percurso.

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Foto ©Ricardo Perna

4.Conhecer os seus limites

Termos uma boa noção do que somos ou não capazes de fazer, não tanto para que possamos explorar esses limites mas para que possamos manter um ritmo confortável, para podermos apreciar a actividade em si.
Compreendermos também o grau de dificuldade da actividade a que nos propomos, assim como os sinais que antecipam algum problema mais sério, como a desidratação, a exaustão ou a hipotermia.

5.Levar mantimentos suficientes

Garantir que além dos alimentos planeados para a viagem levamos algo extra para alguma eventualidade inesperada pode fazer a diferença entre esperar por socorro com algum conforto ou em agonia. A água é da maior importância de levar em quantidade suficiente, pois a sua falta irá condicionar rapidamente muitos factores fisiológicos, como a nossa capacidade de tomar decisões acertadas.

6.Levar um kit de sobrevivência

Compreendendo o que é uma situação de sobrevivência e como reagir perante uma, adestramos o nosso kit às necessidades específicas do local, do tempo que vamos demorar e do tempo que demora a sermos socorridos em caso de acidente.
Um kit de sobrevivência não precisa de ser a versão romântica à venda nas lojas mas algo tão simples como um apito e uma bateria extra para o telemóvel, porque a segunda regra da sobrevivência é dar a conhecer a quem nos procura onde estamos (a primeira é seguir este código).

Afinal somos os primeiros responsáveis pela nossa própria segurança.

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Foto ©Ricardo Perna

Bons passeios e vêmo-nos no mato,

Pedro Alves
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